A história conta que o bolo de rolo surgiu na época dos engenhos de cana de açúcar na capitania de Pernambuco, há mais de 300 anos. Derivado de um bolo português, chamado “colchão de noiva”, que envolvia amêndoas e nozes em uma massa de pão de ló, o bolo de rolo foi nascendo com massa bem mais fininha, sem o uso de fermento, leite ou água e com recheio de goiabada, fruta abundante no nordeste brasileiro.
O bolo de rolo é, portanto, uma espécie de sincretismo culinário, estudado por alguns dos mais renomados antropólogos brasileiros.
Nos livros Açúcar (1932), Casa Grande e Senzala (1933) e Nordeste (1937), o sociólogo Gilberto Freyre analisa a relação do homem nordestino com a cana de açúcar e os efeitos dessa produção econômica na cultura e no cotidiano das famílias do nordeste brasileiro.
Benedito Calixto de Jesus – Moagem de Cana –
Fazenda Cachoeira – Campinas, 1830.
Imagem: Acervo do Museu Paulista da USP/Reprodução.
Nas palavras do pesquisador e antropólogo carioca Raul Lody,
| | “O doce é um testemunho permanente da história, das transformações tecnológicas, dos diferentes momentos sociais, econômicos e culturais. E tudo isso se refletiu na cozinha, em virtude de um Portugal já globalizado em pleno século XVI, e assim surgiram novos hábitos alimentares com as novas ofertas de ingredientes e, em especial, pela expansão comercial e cultural do açúcar... O doce proporciona encontros especiais entre a pessoa e a receita, porque se come simbolicamente a história, a civilização e, de certa maneira, come-se também o homem, numa antropofágica relação de comer a si próprio, em contato quase litúrgico e profundo da intimidade do “eu individual” com o “eu coletivo”, que é a própria cultura.” |
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| | “Ser pernambucano é Ter uma ideia bacana Comer bolo de bacia Com um bom caldo de cana Degustar bolo de rolo Ouvindo como consolo A “Morena Tropicana”. Carlinhos Cordel/Recanto das Letras |
Assim, o bolo de rolo Do Fran traz para nossa Brasília, a cidade que elegemos viver, a capital e lugar de unificação de todos os brasileiros, uma parte da história do país em forma de doce, que acompanhado de café queijo e prosa representa uma verdadeira experiência afetiva e intercultural brasileira. Com açúcar e com afeto, Dri e Fran |