Porque a abordagem no-code não implica o fim dos desenvolvedores

Noite passada, eu estava conversando pelo Zoom com o Chris, um velho amigo dos meus antigos dias como desenvolvedor em uma empresa de mídia eletrônica na cidade de Nova Iorque.

Passamos quase uma hora relembrando os velhos tempos, algo que tenho feito cada vez mais ao longo desta pandemia.

Embora nossos caminhos tenham se separado, o que adoro no Chris é o seguinte: ele é um nerd da tecnologia como eu. Somos farinha do mesmo saco no sentido de que ambos gostamos de encontrar soluções para diferentes problemas. Eu costumava sonhar com códigos durante o sono, e também gosto de dividir essa paixão com outras pessoas.

Como dois programadores de longa data, conversamos sobre as mudanças na indústria da tecnologia e como o movimento no-code está chegando às massas – como este vem democratizando a internet e gerando mais oportunidades. Mas então ele disse algo que me fez parar no meio de uma frase.

Isso é ótimo e tudo, mas estou preocupado que isso irá me fazer perder o emprego.

E eu entendo de onde vem seu medo. A atual crise de coronavírus ocasionou um efeito cascata onde mais e mais pessoas se descobriram desempregadas. Uma história recentemente publicada no The New York Times reportou que “a alta em casos de COVID-19 está causando um grande impacto nas atividades econômicas.”

Mas entenda: plataformas no-code – as quais permitem que qualquer pessoa, mesmo sem nenhuma experiência em programação, possa criar de tudo, de aplicativos a sites – não são um conceito novo. Estas já existem há algum tempo.

Caso em questão: minha própria empresa, a Jotform, a qual fundei 15 anos atrás – sempre desenvolveu produtos no-code. Nosso criador de formulários online torna a criação de formulários um processo simples e nossos usuários não precisam escrever uma única linha de código.

O que o uso de soluções no-code não fez? Eliminar as funções da minha equipe de desenvolvedores.

Terminei minha chamada com o Chris assegurando-o do seguinte.

O desenvolvimento no-code não implica o fim dos desenvolvedores.

Imagine um mundo onde você não precisa ter um diploma em Ciência da Computação ou incríveis habilidades tecnológicas para criar aplicações da web ou websites. Onde você não precisa gastar uma pequena fortuna fazendo cursos de design para criar um simples panfleto de alta qualidade.

Este é o impacto do movimento no-code.

Nós, na verdade, já vivemos neste mundo.

Empresas como Webflow, Shopify, Bubble, Canva e Airtable – todas criaram ferramentas que as permitem alcançar o objetivo mencionado acima.

Mas como todo novo movimento, sempre temos os opositores que se mostram relutantes ao progresso e disseminam o mito de que o uso de abordagens no-code implica na morte da programação.

A verdade é a seguinte: todas estas plataformas existem devido ao trabalho de desenvolvedores brilhantes – e desenvolvedores brilhantes estarão sempre em alta demanda.

Por quê? Porque estes estão sempre trabalhando para descobrir soluções cada vez melhores.

Porque no-code não implica o fim dos desenvolvedores

Veja, por exemplo, a democratização da produção musical, onde qualquer um agora pode gravar e fazer o upload de uma faixa para plataformas como o SoundCloud. Engenheiros de áudio e produtores musicais não foram automaticamente substituídos. Pelo contrário, mais oportunidades foram criadas.

Tendo essa história em mente, você pode ver como a ascensão do movimento no-code representa uma evolução natural desse mesmo processo – a geração de um conhecimento que já foi limitado a um seleto grupo de pessoas, tornando-o disponível para uma cultura mais ampla.

Como os desenvolvedores podem se beneficiar do movimento no-code

O movimento no-code não está apenas tornando o desenvolvimento de software mais acessível para não programadores, mas também tornando a vida dos desenvolvedores mais fácil. Como aponta Ryan Hoover em seu artigo para Medium “É inevitável que mais produtos sejam criados – ou pelo menos idealizados – sem o uso de código, inclusive por programadores que sabem programar.”

Segura essa reviravolta: você poderá não apenas manter seu trabalho, mas também tirar proveito do movimento.

E o motivo por trás disso? Quando tarefas repetitivas como a entrada de dados são automatizadas, sua mente fica livre para cultivar novas ideias e atacar desafios mais complexos – tornando o que você faz ainda mais valioso para as empresas.

De acordo com Vlad Magdalin, cofundador e CEO do Webflow, uma plataforma no-code para a construção de sites, “O que acontece é que estamos buscando automatizar as tarefas que são mais suscetíveis à automação – os desenvolvedores ficam extasiados com a ideia pois agora poderão trabalhar nas partes mais difíceis de problemas mais interessantes.”

Vejam a minha própria empresa como exemplo. Lançamos recentemente nossa nova ferramenta, Jotform Tabelas, uma área de trabalho completa que o permite coletar, organizar e gerenciar seus dados. Passamos 3 anos desenvolvendo esse produto no-code para nossos milhões de usuários – mas tudo isso foi desenvolvido usando código.

Esta também se provou incrivelmente útil para nossa equipe, permitindo-nos trabalhar como máquinas, pois todos nós – até mesmo aqueles que não sabem programar – somos capazes de realizar nossas tarefas mais rapidamente e colaborar de forma mais eficiente.

Para meus desenvolvedores, isto significa que estes poderão usar suas habilidades e talentos técnicos na resolução de problemas mais sofisticados e ideias de mais alto nível.

Tudo isso para dizer que minha equipe de desenvolvedores é uma parte essencial do meu negócio, e prometo, o mesmo se aplica para a maior parte das empresas no mercado.

Estamos adentrando uma era onde a inclusão do conhecimento no-code nas descrições de empregos será mais procurada ao redor do mundo devido ao valor que os desenvolvedores trazem para a mesa.

Mas não aceite apenas minha palavra.

Como afirma Magdalin, “Precisaremos de mais desenvolvedores do que nunca para ajudar no desenvolvimento das partes mais complexas/exclusivas de novos softwares uma vez que a abordagem no-code permitir que uma quantidade 100 vezes maior de pessoas comece a desenvolver.”

Resumindo: a tecnologia evolui porque desenvolvedores quebram barreiras

Se você aprendeu algo neste artigo, que seja o seguinte: o uso e o não uso de programação não são mutuamente exclusivos, estes complementam um ao outro.

Essencialmente, o movimento no-code existe graças a programadores, e estes não apenas serão necessários para sua manutenção, mas também estarão sempre em demanda devido à sua experiência e conhecimento – pois são eles que continuam a desafiar os limites da tecnologia.

Ao final da conversa, eu disse o seguinte ao Chris: a revolução no-code está elevando nerds da tecnologia como eu – bem como pessoas de todos os caminhos da vida – ao mesmo patamar.

E eu acredito que existe espaço o suficiente para todos.

AUTOR
Aytekin Tank é Fundador e CEO da Jotform. Um desenvolvedor com a alma de um contador de histórias, ele escreve sobre sua jornada como empreendedor e compartilha conselhos com outras startups. Ele adora ouvir as histórias dos usuários Jotform. Você pode entrar em contato com Aytekin através do e-mail AytekinTank@Jotform.com

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