Como parar de se autossabotar

No ambiente de trabalho, existem diversos agentes estressores em potencial: conflitos com colegas; superiores difíceis de lidar; culturas organizacionais pouco saudáveis; condições de trabalho pouco ideais (como aquela mesa de cozinha que dobra que você transformou em escritório e está neste exato momento compartilhando com seu marido ou esposa).

Menos óbvios são os fatores de estresse que se originam de dentro – todas as pequenas coisas que, de forma não intencional, nos impedem de entregar nosso melhor trabalho. Alguns especialistas chamam isso de autossabotagem, e é provável que todos nós nos envolvamos nesta prática até certo ponto.

Nos últimos meses, como muitos de nós tivemos de nos distanciar fisicamente de nossas equipes, o risco de autossabotagem vem crescendo cada vez mais.

Acabaram-se os tempos das conversas na mesa do café onde oferecíamos conselhos e apoio.

Acabaram-se as reuniões presenciais onde podíamos discutir nossas ideias confortavelmente.

Nós nos tornamos nossos piores críticos.

Durante a pandemia, minha empresa, Jotform, lançou um novo produto, Jotform Tabelas, o qual esteve em desenvolvimento por três anos. Para muitos de nós, inclusive eu mesmo, foi necessário um esforço consciente para superar fatores estressantes internos – como ser excessivamente autossuficiente – pois um projeto de tamanha magnitude não poderia ter se concretizado sem muita colaboração e trabalho em equipe.

Durante este processo, descobri que, cultivando um pouco de consciência, podemos desenvolver estratégias para superar nossos obstáculos internos.

Abaixo, nos aprofundaremos em quatro das formas mais difundidas de autossabotagem, além de orientações de especialistas sobre como lidar com isso.

1. Síndrome do impostor

E se eu te dissesse que uma das maiores escritoras Americanas do século 20 se sentia uma fraude? Difícil de imaginar, mas a verdade é que Maya Angelou, autora de “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, admitiu ter o que nós agora conhecemos como “síndrome do impostor”.

Angelou afirma:

Já escrevi 11 livros, mas cada vez penso: ‘Uh oh, eles vão descobrir agora. Enganei todo mundo e agora vão me desmascarar.’

É o sentimento de que não somos qualificados o suficiente para a função que nos foi designada e este geralmente nasce de uma profunda falta de confiança. E, como sugere a confissão de Angelou, é bem mais comum do que pensamos.

Para empresários, a síndrome do impostor pode afetar não apenas seu bem-estar pessoal, mas também seus objetivos futuros.

A fundadora do Vertel Group, Ann Vertel, explica que “quando este sentimento atinge novos empresários, os efeitos são ambos sutis e poderosos, fazendo-os duvidar de suas conquistas e impedindo-os de correr os riscos necessários.

A jornada para superar essa sensação começa com seu reconhecimento.

Como escreveu Kandi Wiens para o Harvard Business Review:

Escapar dessa armadilha começa com o reconhecimento de seus sentimentos de inadequação e a reformulação de seu diálogo interno. Para se fortalecer na luta contra o esgotamento, faça da autocompaixão – não da autocrítica debilitante – um hábito.

Sempre que essa voz interior se manifestar com um diálogo interno negativo, tente ativamente substituir tais pensamentos por compaixão. E lembre-se: todos nos sentimos como impostores às vezes – o que importa é a forma como lidamos com isso.

2. Um caso de perfeccionismo

Fomos programados aspirar pela perfeição se quisermos que nossos negócios alcancem o sucesso. Aceitar menos que isso pode parecer o mesmo que se conformar com a mediocridade.

Mas, como estudos mostram, o perfeccionismo pode ser incrivelmente debilitante. Na verdade, pesquisadores que analisaram quatro décadas de estudos sobre o assunto descobriram que o perfeccionismo é uma fraqueza muito maior do que muitos profissionais provavelmente acreditam. Embora existam alguns benefícios em ser um perfeccionista – como uma alta motivação – estas pessoas também são mais propensas a estabelecer padrões inflexíveis e excessivamente altos, avaliar seu comportamento de forma muito crítica e manter uma mentalidade “tudo ou nada” sobre seu desempenho.

Para superar o perfeccionismo, Kandi Wiens recomenda fazer a seguinte pergunta a si mesmo: “Como posso executar minhas tarefas sem o pesado fardo de ter que ser sempre perfeito?”

Para você, esta pode ser algo do tipo: Como posso concluir este projeto sem surtar com cada detalhe? Ou como posso preparar esta apresentação sem me preocupar com tudo que pode vir a dar errado?

Ao encontrar um meio-termo, podemos conquistar coisas sem sacrificar a qualidade do nosso trabalho ou bem-estar.

3. Excesso de autossuficiência

A habilidade de trabalhar de forma autônoma é fundamental para um empresário. Mas insistir na total autossuficiência é uma forma infalível de se privar das vantagens do trabalho colaborativo.

De acordo com a revista Psychology Today, estudos mostram que pessoas que afirmam ter um maior equilíbrio emocional, satisfação com a vida e otimismo pelo futuro são aquelas que são capazes de se apoiar ou confiar em outras pessoas – bem como trabalhar de forma independente, conforme necessário.

Pesquisadores descobriram que pessoas que evitam pedir ajuda podem enfrentar graves problemas sociais e profissionais. Estas tendem a evitar buscar uma ajuda mais significativa de professores ou colegas pois envolver outras pessoas os fazem se sentir carentes.

Caso você não esteja acostumado a pedir a opinião de outras pessoas, considere as vantagens deste ato: você aprenderá mais, melhorará sua eficiência através da colaboração, além de, surpreendentemente, melhorar seus relacionamentos com colegas de trabalho.

Há verdade no ditado: duas cabeças pensam melhor do que uma. Comece a praticar hoje mesmo.

4. Sempre na defensiva

Quando alguém critica o seu trabalho, é natural se sentir atacado. Na verdade, a defesa é um de nossos impulsos mais naturais.

Problemas surgem, contudo, quando nos tornamos incapazes de ouvir qualquer tipo de crítica. Como empresários, isto nos impede de passar por todos os estágios necessários para nossa evolução, como ouvir, entender e melhorar nossos produtos e serviços.

No passado, na Jotform, ficávamos incrivelmente animados em lançar um novo produto apenas para descobrir que nossos usuários preferiam sua versão anterior. Ao continuar a ouvir suas opiniões, no entanto, percebemos que, em vez de abandonar totalmente o novo produto, nossos usuários ficariam ainda mais felizes se tivessem a opção de escolher entre os dois. Então foi isso que fizemos.

Para superar a tendência de ficar na defensiva, primeiro é preciso reconhecer que todos nós a temos.

Ninguém gosta de ouvir críticas sobre seu trabalho.

Logo, pratique ouvir – sem reagir, nem pensar em maneiras de contra-argumentar.

Ao ouvir com calma – aos seus colegas de trabalho, usuários, seu parceiro ou qualquer outra pessoa – você poderá perceber que o ataque não é pessoal, permitindo-o concentrar-se em maneiras de resolver o problema juntos.

Com todos os desafios de ser um empreendedor no clima econômico atual, a última coisa que você precisa é sabotar seu próprio negócio. Com sorte, as dicas acima poderão ajudá-lo a acalmar alguns de seus estressores internos.

AUTOR
Aytekin Tank é Fundador e CEO da Jotform. Um desenvolvedor com a alma de um contador de histórias, ele escreve sobre sua jornada como empreendedor e compartilha conselhos com outras startups. Ele adora ouvir as histórias dos usuários Jotform. Você pode entrar em contato com Aytekin através do e-mail AytekinTank@Jotform.com

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