Como treinar seu cérebro para pensar de forma mais criativa

Em 2004, Charles Duhigg trabalhava como repórter em Bagdá quando ouviu que um major do exército, enquanto assistia às filmagens de protestos na cidade de Kufa, havia observado um padrão interessante: atos violentos normalmente aconteciam quando uma multidão se reunia em uma praça ou espaço aberto. Com as multidões, vinham os espectadores e vendedores de comida, e, não muito tempo depois, uma pedra ou garrafa era jogada e começava o tumulto.

Sendo este o caso, o major pediu que o prefeito de Kufa mantivesse os comerciantes longe da praça. Algumas semanas depois, uma pequena multidão se aglomerou; À medida que esta crescia, as pessoas começaram a entoar irritadamente. Mas ao anoitecer, a multidão ficou agitada e faminta: as barracas de kebab onde normalmente comiam não estavam lá. Às 8 da noite, todos já haviam voltado para suas casas.

Compreender hábitos, disse o major à Duhigg, foi a coisa mais importante que ele aprendeu no exército.

Ninguém em Kufa poderia me dizer que possuíamos o poder de influenciar multidões removendo algumas barracas de kebab mas, uma vez que você começa a perceber tudo como um conjunto de hábitos, é como se alguém tivesse te dado uma lanterna e um pé-de-cabra e você pudesse finalmente trabalhar, disse o major à Duhigg.

Nossos cérebros são programados para observar padrões, os quais resultam na criação de hábitos. Esta é uma estratégia incrivelmente eficiente, um atalho da mente que nos poupa a energia de ter de reinventar a roda cada vez que enfrentamos uma situação conhecida. Mas Duhigg, autor do livro O Poder do Hábito: Por Que Fazemos o Que Fazemos na Vida e nos Negócios, aponta que tomar estes atalhos mentais pode se tornar algo muito confortável, inibindo o pensamento criativo.

A ciência dos hábitos

Os hábitos são formados em uma parte do cérebro chamada de gânglios da base, a qual também está envolvida no desenvolvimento de emoções, memórias e no reconhecimento de padrões. As decisões, por outro lado, são formadas no córtex pré-frontal. Entretanto, uma vez que estas decisões se tornam automáticas, essa parte do cérebro entra em uma espécie de estado de hibernação.

“Na verdade, o cérebro começa a trabalhar cada vez menos,” explica Duhigg à NPR. “O cérebro pode se desligar quase que completamente… E isso representa uma real vantagem, pois significa que você agora tem toda esta atividade mental que pode devotar a algo diferente.”

Este é um sistema bastante útil – até certo ponto. Mas também nos torna mais suscetíveis ao chamados “loops de hábitos mentais,” nos quais nossos cérebros aplicam erroneamente padrões fora do contexto no qual foram inicialmente aprendidos. Uma vez preso no loop do hábito, pode se tornar bastante difícil processar informações de outra forma, além do risco de ficarmos presos em uma mentalidade fixa, vendo o mundo por apenas um ponto de vista.

Este tipo de pensamento é como criptonita para um empreendedor, cuja habilidade de processar múltiplas perspectivas e mudar de direcionamento em um piscar de olhos é fundamental para o sucesso de uma empresa.

Pense como um principiante

No Zen Budismo, existe um conceito chamado shoshin, ou “mente de principiante.” Em Mente Zen, Mente de Principiante, o Mestre Zen Shunryu Suzuki escreve que, “Há muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas na do perito.”

O pensamento ocidental, desde então, entrou na discussão, com os autores de um estudo de 2015 descobrindo que “A autopercepção de experiência aumenta a cognição de mente fechada”. Em outras palavras, aqueles que se consideram especialistas tendem a ter a mente mais fechada.

A natureza necessária para desestabilizar um mercado implica fazer perguntas como um iniciante, sem uma ideia preconcebida do que é possível e do que não é. Empresas como Warby Parker e Airbnb praticavam shoshin quando jogavam os manuais de instrução de seus setores pela janela, reimaginando seus produtos do zero.

Então, como parar de pensar como um perito e começar a pensar como um principiante?

1. Faça perguntas:

Muitos de nós temos o triste hábito de desvalorizar coisas que não compreendemos. Palestrando em um evento em 2018, o empresário Hooman Radfar compartilhou que, por investir sempre em empresas de tecnologia, ele hesitou ao investir na Sweetgreen, a rede de saladas fast-casual. Mas após conduzir uma pesquisa conhecendo seus fundadores, visitando localidades e conversando com os funcionários, ele percebeu que a Sweetgreen era muito mais do que ele imaginava. “Eles não vendiam saladas. Eles vendiam um estilo de vida. Você faz parte de algo maior,” disse ele. “Eu não teria percebido isso se não estivesse disposto a mergulhar mais fundo.”

2. Quando algo der errado, descubra o porquê:

Uma reação humana normal ao fracasso pode ser desistir. Mas essa filosofia não funciona para empresários, onde o fracasso é uma parte praticamente inevitável do processo. Se eu tivesse desistido ao me deparar com problemas ou rejeição, minha empresa, Jotform, não teria crescido além do meu apartamento em Nova York e se tornado o que é hoje. Isso não significa que o fracasso não dói. Mas ter uma mentalidade de principiante significa que, uma vez dissipada a dor, você pode se levantar e tentar novamente.

3. Aprenda incansavelmente:

Para permanecerem relevantes, os empreendedores devem se manter em um estado de constante aprendizado. A automotivação é parte integrante da fundação de uma empresa, e o desejo de buscar novos conhecimentos é fundamental. Pensar como um principiante significa aceitar que você pode não ser bom em algo na primeira tentativa – ou mesmo na 15ª –, mas persistir mesmo assim.

4. Aceite o desconforto

Alongar os músculos o torna mais flexível, mas você sabia que o mesmo vale para o seu cérebro? Este conceito é chamado de “neuroplasticidade”, o que significa que sua mente pode se reconectar para criar novas vias neurais. Estas podem ser criadas aprendendo coisas novas e, quanto mais usamos uma determinada via, mais entranhada ela se torna. Por outro lado, vias negligenciadas tornam-se mais fracas e são eventualmente esquecidas.

Muitos de nós, adultos, tendemos a evitar experimentar coisas novas porque pensamos que não teremos sucesso. Adentrar um território desconhecido consome muita energia mental, e seu cérebro prefere tentar empurrá-lo em direção a um padrão antigo – mesmo que este seja negativo – do que abraçar algo novo. Além disso, a tendência de repetir comportamentos negativos é ampliada quando estamos cansados ​​da tomada de decisões e nosso cérebro muda para o modo de autopreservação.

Mas reconhecer essa resistência é o primeiro passo para superá-la. Em vez de evitar adotar um novo hobby por medo de fracassar, console-se em saber que a dificuldade que você está enfrentando é simplesmente o processo de criação de novas vias neurais.

Entender como seu cérebro funciona ajuda a mantê-lo flexível ao longo da vida – algo obrigatório para um empresário. Mudar exige esforço, mas isso o ajudará a se manter afiado, emocionalmente inteligente e flexível por toda a vida.

AUTOR
Aytekin Tank é Fundador e CEO da Jotform. Um desenvolvedor com a alma de um contador de histórias, ele escreve sobre sua jornada como empreendedor e compartilha conselhos com outras startups. Ele adora ouvir as histórias dos usuários Jotform. Você pode entrar em contato com Aytekin através do e-mail AytekinTank@Jotform.com

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