Principais conclusões
- Os professores não veem a IA como uma ameaça aos seus empregos. Eles a veem como uma ameaça à aprendizagem quando os alunos a usam para evitar o raciocínio.
- Os educadores são mais receptivos à IA em tarefas administrativas, no planejamento e em atividades repetitivas, e não para substituir o núcleo humano do ensino.
- O maior medo é a perda de habilidades: a maioria dos educadores teme que a IA enfraqueça o pensamento crítico, a originalidade e o esforço produtivo.
- O que as escolas precisam agora não é de mais euforia em torno da IA. Elas precisam de regras claras, melhor capacitação e limites firmes para um uso responsável.
Deixe-me contar algo que tenho percebido nas conversas sobre IA na educação.
Converso com frequência diretamente com educadores, inclusive com aqueles que usam as ferramentas de IA da Jotform. E, quando a conversa começa, o clima é otimista. Eles me contam como a IA está economizando horas de trabalho administrativo — automatizando a coleta de dados, respondendo a perguntas frequentes e eliminando tarefas burocráticas que antes consumiam tardes inteiras.
O entusiasmo é real. Mas a conversa quase sempre muda para outra pergunta: o que acontece quando os alunos usam IA?
Essa tensão apareceu com clareza em nossa pesquisa recente com 70 educadores dos EUA. Embora muitos dos participantes vejam valor real na IA, especialmente em tarefas administrativas, uma grande parcela afirma temer que a IA possa corroer as habilidades dos alunos.
E essa preocupação não é isolada. A Association of American Colleges & Universities (AAC&U) fez parceria com a Elon University para ouvir mais de 1.000 docentes sobre suas opiniões a respeito da IA. Noventa por cento dos docentes disseram acreditar que a IA vai diminuir as habilidades de pensamento crítico dos alunos.
Assim, embora o debate público costume girar em torno de a IA substituir ou não os professores, essa não é a pergunta que os educadores estão fazendo.
A pergunta real é mais difícil e mais importante: como usar a IA na educação sem prejudicar a forma como os alunos realmente aprendem?
O que mais preocupa você em relação à IA na educação?
Otimismo, curiosidade e preocupação
Os educadores que entrevistamos incluíam professores de sala de aula, gestores escolares, docentes universitários e profissionais de apoio ao aluno. Os participantes representavam instituições públicas, privadas e charter schools das quatro regiões dos EUA — Nordeste, Meio-Oeste, Oeste e Sul — e trouxeram ampla experiência para a conversa. Quase dois terços relataram ter mais de 10 anos de atuação na educação.
Além das perguntas estruturadas da pesquisa, 56 educadores compartilharam reflexões abertas sobre seus maiores medos e esperanças em relação à IA na educação.
No geral, as respostas revelam um cenário cheio de nuances.
Os educadores estão acompanhando a IA de perto, mas suas reações não se encaixam em um único grupo. Pelo contrário, refletem uma mistura de otimismo cauteloso, curiosidade prática e preocupação real com a forma como essa tecnologia vai moldar a aprendizagem dos alunos.
Algumas conclusões chamaram atenção de imediato.
Oitenta e quatro por cento dos professores temem que a IA possa corroer as habilidades dos alunos; no entanto, quase dois em cada três não esperam que ela reduza a necessidade de educadores num futuro próximo. Ao mesmo tempo, 82% dos educadores em início de carreira afirmam evitar a IA por medo de possíveis consequências, e a existência de uma política formal sobre IA não parece amenizar essas preocupações.
Em conjunto, esses resultados apontam para um padrão claro. A maior preocupação não é se a IA vai substituir os educadores. É se ela vai mudar a forma como os alunos aprendem, e para pior.
Mais interessante ainda: quem passa mais tempo em sala de aula tende a ser o mais cauteloso.
Vamos analisar mais de perto como essa divisão se manifesta.
Educadores mais cautelosos do que temerosos
Apesar do debate público sobre a IA na educação, o sentimento geral dos educadores que responderam a esta pesquisa é comedido. Eles estão acompanhando de perto a evolução da IA.
Em nossa pesquisa, 39% dos educadores se descreveram como otimistas em relação ao papel da IA na educação, enquanto 33% relataram sentimentos mistos ou neutros. Outros 29% disseram sentir ansiedade.
Essa distribuição é significativa. Ela sugere que o setor educacional não está dominado pelo medo — está dividido. Há uma mistura de curiosidade, cautela e preocupação, em vez de uma única reação predominante.
Mas, ao examinar os dados mais a fundo, um padrão mais claro emerge.
Os educadores que atuam em sala de aula tendem a ser os mais cautelosos. A ansiedade é maior entre os professores da educação básica (K–12), enquanto o otimismo cresce entre os gestores escolares (48%) e os docentes universitários (55%). A diferença reflete a forma como cada grupo vivencia a IA.
Para gestores e docentes universitários, a IA costuma aparecer como uma ferramenta de produtividade: algo que pode otimizar operações ou apoiar a pesquisa. Para os professores, ela surge na própria sala de aula, onde o que está em jogo parece mais imediato.
Essa dinâmica também aparece além da nossa pesquisa. Como mencionado anteriormente, um estudo da AAC&U e da Elon University constatou que 90% dos docentes afirmam que a IA vai diminuir as habilidades de pensamento crítico dos alunos. Muitos participantes também relataram maior preocupação com a integridade acadêmica, ou seja, se o trabalho entregue pelos alunos é realmente deles. Quanto mais próximo da aprendizagem do aluno, mais difícil é ignorar esses prós e contras.
Tipo de função × Sentimento geral em relação à IA
| Função | Neutro/Misto | Otimista | Ansioso | n |
|---|---|---|---|---|
| Gestor escolar | 33,3% | 47,6% | 19,0% | 21 |
| Professor do ensino médio | 30,0% | 20,0% | 50,5% | 10 |
| Docente universitário | 27,3% | 54,5% | 18,2% | 11 |
| Professor do ensino fundamental II | 50,0% | 37,5% | 12,5% | 8 |
| Profissional de apoio ao aluno | 0,0% | 33,3% | 66,7% | 9 |
| Professor do ensino fundamental I | 71,4% | 14,3% | 14,3% | 7 |
Ao mesmo tempo, a maioria dos educadores não vê a IA como uma ameaça à sua profissão. Sessenta por cento dos participantes disseram que é improvável que a IA reduza a necessidade de educadores nos próximos 10 anos, e 64% relataram que a IA não mudou o quanto se sentem seguros em suas carreiras.
Probabilidade de a IA reduzir a necessidade de educadores (horizonte de 10 anos)
Mudança na segurança da carreira devido à IA
P: A IA mudou o quanto você se sente seguro em relação à sua carreira de longo prazo na educação?
| Resposta | Porcentagem | Contagem |
|---|---|---|
| Nenhuma mudança | 64% | n=45 |
| Menos seguro (um pouco + muito menos) | 28% | n=19 |
| Mais seguro (um pouco + muito mais) | 8% | n=6 |
Os dados apontam para uma conclusão clara: os educadores não temem se tornar obsoletos por causa da IA. Eles estão tentando entender como usar a IA sem comprometer o que mais importa.
O que os professores acham que a IA realmente vai assumir
Quando os educadores imaginam a IA assumindo parte de suas funções, a instrução em sala de aula está longe de ser a primeira coisa que lhes vem à mente. Em vez disso, eles enxergam um futuro com menos trabalho burocrático e mais tempo para os alunos.
Mais da metade dos participantes apontou as tarefas administrativas como a área que a IA tem mais probabilidade de assumir. O planejamento de aulas veio logo atrás, com 49%. Bem menos pessoas citaram a correção de trabalhos e o feedback (29%), e 23% disseram que nenhuma parte de suas funções parece vulnerável à IA.
Quais partes do seu trabalho a IA pode assumir?
P: Qual parte do seu trabalho a IA pode assumir? (Selecione até 3)
| Resposta | Porcentagem | Contagem |
|---|---|---|
| Tarefas administrativas | 54,3% | n=38 |
| Planejamento de aulas | 47,1% | n=34 |
| Correção de trabalhos e feedback | 28,6% | n=20 |
| Nenhuma parte da minha função parece vulnerável | 22,9% | n=16 |
| Transmissão de conteúdo | 21,4% | n=15 |
| Apoio e orientação aos alunos | 14,3% | n=10 |
O padrão é consistente. As tarefas que os educadores mais aceitam delegar são justamente as que tiram tempo dedicado aos alunos.
Em contrapartida, o lado humano do ensino parece muito menos substituível. Apenas 21% dos participantes identificaram a transmissão de conteúdo como algo que a IA pode assumir, e somente 14% apontaram o apoio e a orientação aos alunos.
Essa diferença é reveladora. As áreas que os educadores veem como mais propensas à automação são as mesmas que eles costumam descrever como as mais demoradas e desgastantes. Já as partes do trabalho baseadas em relacionamentos — orientar os alunos, responder às suas necessidades, conduzir a aprendizagem em tempo real — continuam, aos olhos deles, firmemente humanas.
Como isso se parece na prática
Em minhas conversas com educadores, esse padrão aparece com clareza. Os usos mais empolgantes da IA não têm a ver com substituir o ensino. Eles têm a ver com economizar tempo para que os professores possam se concentrar nos alunos.
Nas escolas do condado de McMinn (McMinn County Schools), o supervisor de Educação Fundamental e coordenador distrital de avaliações Steven Brady usou um agente de IA da Jotform para responder a perguntas repetitivas durante as avaliações exigidas pelo estado. Em vez de responder às mesmas perguntas várias vezes, ele treinou o agente com um manual de avaliações e o utilizou como ponto de referência para a equipe.
“Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que usaram o agente de IA para fazer perguntas e obter respostas rápidas”, disse Brady. “Foi bem legal.”
O impacto foi imediato e prático. Ele economizou tempo e manteve a precisão e a consistência, e Brady pôde se concentrar em suas principais responsabilidades na rede de ensino.
Esses são os tipos de casos de uso nos quais os educadores estão apostando. A IA apoia o trabalho que cerca a aprendizagem, e não a aprendizagem em si.
O verdadeiro medo não é perder o emprego, e sim a perda de aprendizagem
As preocupações dos educadores com a aprendizagem dos alunos aparecem claramente nos dados. Nenhuma outra questão chega perto: 84% afirmam que os alunos podem perder habilidades importantes se dependerem da IA, e 81% apontam a dependência excessiva como uma grande preocupação.
E isso não é apenas percepção. É um padrão que vem surgindo em toda a educação. A preocupação não é hipotética — ela já é uma realidade.
As respostas abertas da nossa pesquisa reforçam esse ponto. As preocupações com o pensamento crítico e a perda de habilidades foram o tema mais comum, aparecendo em quase um quarto de todas as respostas escritas. E, ao contrário de outros assuntos, o tom aqui foi quase totalmente negativo.
Vários educadores descreveram o receio de que a IA possa atropelar o próprio processo de aprendizagem, especialmente o tipo de tentativa e erro que ajuda os alunos a desenvolver uma compreensão mais profunda.
“Isso tira dos alunos a oportunidade de aprender por meio da dificuldade.” — professor do ensino médio
Para alguns, a preocupação não é apenas com atalhos. É saber se a aprendizagem autêntica ainda pode acontecer.
“Será que dá para confiar de verdade que este é um trabalho original do aluno? Esse pensamento foi realmente dele — e ele de fato aprendeu o conteúdo?” — profissional de apoio ao aluno
Outros expressaram a questão de forma mais fundamental:
“Os alunos precisam se sentir à vontade com a ideia de que tentar no papel é a principal forma de crescer e amadurecer. Os resultados — o trabalho em si — nunca são o ponto principal; precisamos desesperadamente de pensadores.” — professor do ensino médio
Essas preocupações vão além da integridade acadêmica. Elas apontam para algo mais profundo: a possibilidade de que a IA elimine justamente o atrito do qual a aprendizagem depende.
Para muitos educadores, a dificuldade não é uma falha da aprendizagem. É assim que a aprendizagem acontece.
A mesma tecnologia que pode poupar horas de trabalho administrativo e até apoiar a aprendizagem personalizada também pode facilitar para os alunos driblar o esforço necessário para realmente entender algo. E, para os educadores que trabalham diretamente com os estudantes, essa troca é difícil de ignorar.
Até os educadores empolgados com o potencial da IA traçam essa linha. A questão não é se a IA consegue produzir respostas. É se os alunos ainda aprendem a encontrá-las.
Professores mais novos na profissão têm mais probabilidade de evitar a IA
Nem todos os educadores encaram a IA da mesma maneira. A experiência tem um papel importante no quanto eles se sentem à vontade para usá-la.
No geral, 21% dos participantes disseram que evitaram usar a IA por medo de possíveis consequências. Mas esse número muda drasticamente quando se observam os educadores em início de carreira.
Entre os que têm cinco anos ou menos de experiência, 82% relataram evitar a IA. Entre os educadores com mais de uma década na profissão, esse número cai para 60%.
Anos de experiência × comportamento de evitar a IA
| Anos de experiência | Não | Sim | n |
|---|---|---|---|
| 0 a 5 anos | 18,2% | 81,8% | 11 |
| 6 a 10 anos | 28,6% | 71,4% | 14 |
| Mais de 10 anos | 40,0% | 60,0% | 45 |
Essa diferença é impressionante e aponta para algo mais profundo do que um simples ceticismo.
Os educadores menos experientes não são necessariamente mais resistentes à tecnologia. Em muitos casos, eles são mais familiarizados com ela. O que lhes falta é clareza institucional. Sem diretrizes claras sobre como a IA deve ser usada, as pessoas com menos estabilidade no emprego são as mais propensas a evitá-la por completo.
Esse padrão aparece além da nossa pesquisa. De acordo com o Research Center da Education Week, a maioria dos professores afirma não ter recebido treinamento significativo sobre como usar a IA em sala de aula. Quando as expectativas são pouco claras e o apoio é limitado, a cautela se torna o padrão — especialmente para quem ainda está se estabelecendo na profissão.
O que realmente reduziria a ansiedade
Se os educadores estão hesitantes em relação à IA, a solução não são mais ferramentas — é mais clareza.
Quando perguntamos o que reduziria a ansiedade deles, os educadores apontaram um conjunto consistente de necessidades. A resposta mais comum foi diretrizes institucionais claras, seguida por capacitação profissional e estruturas éticas mais sólidas. Um grupo menor destacou a importância de participar das decisões, enquanto alguns disseram que nada reduziria de forma significativa suas preocupações.
Mas uma conclusão chama atenção quando se analisam os dados mais de perto.
Existindo ou não uma política de IA para escolas formal, a percepção dos educadores permanece praticamente inalterada. Entre os que relataram ter uma política, 30% se sentiam neutros, 40% otimistas e 30% ansiosos. Os números são quase idênticos entre os que não têm uma política.
4.5 Existência de política de IA × percepção geral sobre a IA
| Situação da política | Neutro/Misto | Otimista | Ansioso | n |
|---|---|---|---|---|
| Existe política (Sim) | 30,0% | 40,0% | 30,0% | 30 |
| Não há política (Não) | 27,3% | 40,9% | 31,8% | 22 |
| Não sei | 44,4% | 33,3% | 22,2% | 18 |
Em outras palavras, a existência de uma política não parece reduzir a incerteza.
Essa distância entre a política e a prática ajuda a explicar por que a hesitação persiste. Pode existir um documento, mas a orientação do dia a dia de que os educadores precisam muitas vezes não existe. Como isso funciona na prática, dentro de uma sala de aula? Quando o uso da IA é apropriado e quando ele passa dos limites? Essas perguntas ainda estão, em grande parte, sem resposta.
Pesquisas externas apontam para a mesma conclusão. De acordo com o Research Center da Education Week, a maioria dos professores afirma não ter recebido treinamento significativo sobre como usar a IA em sala de aula. Sem esse apoio, até políticas bem-intencionadas podem parecer abstratas.
O que os educadores pedem não é apenas permissão para usar a IA. Eles pedem um entendimento compartilhado sobre como usá-la com responsabilidade e onde devem estar os seus limites.
Enquanto essa clareza não existir, a hesitação não é apenas esperada. É racional.
O que os professores realmente dizem (e por que eles discordam)
As respostas abertas da pesquisa deixam claro que os educadores estão longe de ter uma visão unificada sobre a IA.
No geral, 55% das respostas foram negativas, 25% foram mistas, 18% foram positivas e cerca de 2% foram neutras. O tom tende ao ceticismo, mas as respostas positivas não são aleatórias. Elas costumam se concentrar em funções e experiências específicas dentro da educação.
Distribuição das percepções
| Percepção | Quantidade (n) | % das respostas |
|---|---|---|
| Negativa | 31 | 55,4% |
| Mista | 14 | 25,0% |
| Positiva | 10 | 17,9% |
| Neutra | 1 | 1,8% |
Grande parte do otimismo veio de administradores e professores universitários, que têm mais probabilidade de enxergar a IA como uma ferramenta prática, e não como uma disrupção na sala de aula.
“Minha esperança é que a IA elimine as partes administrativas chatas, monótonas e repetitivas do ensino e dê aos professores mais liberdade para serem criativos e envolventes — mais humanos — com seus alunos.” — administrador escolar
“É como poder conversar com milhares de outros educadores sobre como eles abordam o ensino.” — professor universitário
Mas as preocupações expressas em outros lugares são igualmente fortes e, muitas vezes, mais imediatas.
“A IA vai criar uma desigualdade socioeconômica ainda maior, com os recursos cada vez mais concentrados nas mãos das pessoas que são donas da IA e da tecnologia.” — administrador escolar
“Ela não tem nenhuma barreira ética. É movida por interesses de lucro. Seu uso destrói ativamente o meio ambiente.” — profissional de TI
Entre essas duas perspectivas, existe outra preocupação, mais discreta, que reflete mais incerteza do que resistência declarada.
“Minha ansiedade tem a ver apenas com a pressa das pessoas em usar uma ferramenta que não sabem usar, acabando por tomar decisões ruins com base em [informações] precárias ou em desinformação.” — administrador escolar
Em conjunto, essas respostas revelam um padrão por trás da divergência. Os educadores mais otimistas em relação à IA tendem a ocupar funções mais distantes do ensino diário em sala de aula, em que a tecnologia aparece principalmente como uma ferramenta de produtividade. Já os que expressam mais preocupação costumam estar mais perto dos alunos, onde as consequências para a aprendizagem, a equidade e a integridade acadêmica parecem mais imediatas.
A divisão de opiniões entre os educadores não é realmente sobre a IA ser boa ou ruim. É sobre o lugar que cada pessoa ocupa dentro do sistema educacional — e o quão diretamente ela sente o impacto da IA sobre os alunos.
Então, o que tudo isso significa?
Quando penso nas minhas conversas com educadores e as comparo com a nossa pesquisa, uma coisa chama atenção.
Os educadores estão entusiasmados com o potencial da IA. Mas também entendem o quanto ela é poderosa, e existe hesitação.
E quando você dá um passo atrás e analisa os dados, o padrão começa a fazer sentido. Os educadores não têm medo de ser substituídos. Eles se preocupam com o que os alunos podem perder nesse processo. Essas preocupações aparecem repetidamente na forma como eles falam sobre a IA em suas salas de aula.
Ao mesmo tempo, a incerteza que eles sentem não vem apenas da tecnologia. Ela vem da falta de clareza sobre como a IA deve ser usada. Nossos dados mostram que ter uma política em vigor não reduz a ansiedade de forma significativa, e muitos educadores, especialmente os que estão no início da carreira, estão se afastando totalmente da IA quando as expectativas não são claras.
Essa combinação cria uma situação difícil para escolas e instituições. As ferramentas avançam rapidamente, mas as orientações sobre elas não acompanham o mesmo ritmo.
Portanto, o desafio não é decidir se a IA deve ser adotada. É como adotá-la com responsabilidade.
No momento, o caminho mais aceito é também o mais prático. Os educadores se sentem mais à vontade para usar a IA para reduzir a carga administrativa, agilizar fluxos de trabalho e abrir mais tempo para uma interação significativa com os alunos. É nesse ponto que o valor é imediato e que os riscos para a aprendizagem são menores.
As coisas se complicam dentro da própria sala de aula. É ali que as questões sobre pensamento crítico, integridade acadêmica e equidade se tornam mais difíceis de responder — e mais difíceis de ignorar.
Em conjunto, essas conclusões indicam uma mudança na forma como devemos pensar sobre a IA na educação. A conversa não deveria começar pelo que a IA pode fazer. Deveria começar pelo que queremos que os alunos aprendam — e trabalhar de trás para frente a partir daí.
Porque a verdadeira pergunta que os educadores estão fazendo não é se a IA tem lugar na educação.
É como usá-la de uma maneira que preserve os aspectos da aprendizagem que a tornam significativa.





Enviar Comentário: