Um guia completo sobre tipos de pesquisa

Pesquisa é o processo de coletar, registrar e analisar dados de forma sistemática sobre fenômenos observáveis, como um tema, questão ou evento específico. Independentemente da sua área de estudo — seja medicina, negócios, psicologia ou qualquer outra — o objetivo da pesquisa geralmente é investigar, descrever ou explicar uma ideia.

Classificando tipos de pesquisa 

Diferentes tipos de pesquisa são mais adequados para determinadas áreas ou objetivos. Por isso, pode ser difícil identificar qual é o mais apropriado para o seu trabalho. Este artigo apresenta quatro classificações de tipos de pesquisa para ajudar você a escolher a melhor opção.

Os tipos de pesquisa são agrupados de acordo com os seguintes critérios:

  • Objetivo da pesquisa
  • Tipo de informação coletada
  • Escopo da pesquisa
  • Duração da pesquisa

Objetivo da pesquisa

Podemos classificar a pesquisa com base em sua finalidade em dois subgrupos: pesquisa teórica e pesquisa aplicada.

Pesquisa teórica

Pesquisadores realizam esse tipo de pesquisa para entender melhor e explicar um determinado tema ou fenômeno. A pesquisa teórica geralmente se baseia em uma hipótese — uma possível explicação para por que um fenômeno ocorre. Como uma hipótese pode ser formulada com base em evidências limitadas, não se pode considerá-la como verdade, mas sim como ponto de partida para investigações futuras.

De forma simples, a pesquisa teórica busca gerar o máximo de informações possível sobre um tema antes de aplicar esse conhecimento na prática. Ela envolve estudar o assunto, analisar os dados coletados e fazer inferências para responder a uma questão teórica. Esse tipo de pesquisa é mais comum no meio acadêmico — em áreas como matemática e filosofia, por exemplo — onde não há foco direto em aplicações práticas dos resultados.

Além disso, embora a pesquisa teórica ajude a consolidar a lógica de uma teoria, em alguns casos pode ser difícil ou até impossível aplicá-la na prática. Por isso, sem a continuidade por meio de pesquisas aplicadas, ela não é adequada para áreas em que a aplicação prática é essencial, como a medicina.

Ainda assim, ela serve como ponto de partida para estudos posteriores. Snehal Singh, pesquisador da Market Research Future, dá um exemplo de como a pesquisa teórica pode ser útil na medicina: “Ao estudar a COVID-19, por exemplo, a pesquisa teórica estaria mais voltada para entender o impacto da doença na fase de otorrinolaringologia (ouvido, nariz e garganta), suas causas e os diferentes efeitos no corpo humano.”

Pesquisa aplicada

A pesquisa aplicada é usada para encontrar soluções práticas para problemas do mundo real. Geralmente, ela é realizada após uma pesquisa preliminar para comprovar uma teoria. Esse tipo de pesquisa é essencial nas áreas científica e médica, pois gera métodos aplicáveis para lidar com situações reais.

Existem duas subcategorias de pesquisa aplicada: tecnológica e científica. A pesquisa aplicada tecnológica busca formas mais eficientes de utilizar máquinas, sistemas ou processos para produzir bens e serviços úteis.

Já a pesquisa aplicada científica envolve a medição de variáveis que influenciam o fenômeno observado. Ela também ajuda os pesquisadores a prever comportamentos humanos relacionados a um determinado tema.

Um exemplo de pesquisa aplicada tecnológica é investigar como a Web3 — uma nova versão da internet que incorpora tecnologia blockchain — pode ser usado para resolver problemas do mundo real. Já um exemplo de pesquisa aplicada científica é estudar como pessoas mais velhas se adaptam às inovações da Web3.

Tipo de informação coletada

Existem dois tipos de pesquisa com base no tipo de informação coletada: pesquisa primária e pesquisa secundária.

Pesquisa primária

A pesquisa primária envolve a coleta de informações diretamente de fontes de primeira mão. Ela exige que os pesquisadores obtenham dados diretamente dos participantes do estudo. Esse tipo de pesquisa pode ser realizado de várias formas e com diferentes ferramentas, como questionários e enquetes.

Algumas formas diretas de pesquisa primária incluem entrevistas e grupos focais. A observação também é um tipo de pesquisa primária, mas geralmente não envolve interação direta com os participantes, e sim a análise cuidadosa de suas interações com o ambiente. A pesquisa primária é essencial em áreas como medicina, psicologia e negócios, onde é necessário obter feedback em tempo real dos participantes.

Ela costuma gerar resultados muito específicos e atualizados, mas pode ser cara de realizar. Um exemplo de pesquisa primária é coletar opiniões de um grupo focal sobre o que as pessoas acharam de um comercial de produtos para cabelo.

Pesquisa secundária

A pesquisa secundária envolve a coleta e organização de dados já existentes, obtidos de fontes indiretas. Essas fontes podem ser publicadas (como relatórios do setor, artigos acadêmicos online, registros governamentais, etc.) ou não publicadas (como diários, cartas, entre outros). Esse tipo de pesquisa é usado quando não há necessidade de obter feedback direto ou específico dos participantes.

Ela é, em geral, mais fácil e barata de realizar do que a pesquisa primária. No entanto, as fontes secundárias podem estar desatualizadas e oferecer resultados menos específicos. Um exemplo é extrair informações sobre uma empresa a partir de uma reportagem de jornal.

Escopo da pesquisa

Com base no escopo que a pesquisa pretende abranger, podemos classificá-la em três tipos: pesquisa exploratória, descritiva e explicativa.

Pesquisa exploratória

A pesquisa exploratória é um método usado para analisar um tema ainda pouco conhecido. Geralmente, funciona como uma investigação inicial sobre um assunto pouco estudado ou pouco compreendido, ajudando a definir novas áreas de pesquisa. Ela costuma servir como base para estudos futuros e pode revelar novas informações sobre temas ainda pouco explorados.

Por outro lado, como trata de assuntos novos ou pouco desenvolvidos, pode haver uma quantidade limitada de dados disponíveis. Isso significa que os pesquisadores não conseguem se basear em teorias já consolidadas. “Por exemplo, um estudo geral sobre os impactos da COVID-19 na economia global pode ser considerado uma pesquisa exploratória”, afirma Singh.

Pesquisa descritiva

Pesquisadores conduzem uma pesquisa descritiva para descrever uma situação, conceito ou fenômeno. No entanto, esse tipo de pesquisa geralmente não aborda as causas do fenômeno.

Também é importante destacar que, nesse tipo de estudo, os pesquisadores não podem interferir no fenômeno observado. Isso é necessário para garantir que os participantes continuem agindo de forma natural, sem influência de fatores externos.

Muitos estudos acadêmicos, psicológicos e médicos são descritivos. Um exemplo seria investigar o ritual de acasalamento do faisão-dourado na natureza.

Pesquisa explicativa

A pesquisa explicativa é o tipo de pesquisa mais comum. Ela envolve a análise aprofundada das relações de causa e efeito de um determinado fenômeno. Seu foco é responder perguntas de “por quê”, como: “Por que a espécie de planta jarro verde está entrando em extinção?” Ela vai além da pesquisa exploratória e descritiva, explicando de forma completa as razões por trás de um evento ou situação observada.

Pesquisadores que realizam esse tipo de estudo também observam, analisam e registram as interações do objeto com o ambiente em diferentes condições. Ao analisar um fenômeno, medem como ele reage à influência de estímulos externos.

A pesquisa explicativa é considerada uma das mais completas, pois fornece base para estudos posteriores, como a pesquisa secundária. No entanto, pode ser mais demorada e custosa.

Esse tipo de pesquisa é mais indicado para áreas como medicina, meio acadêmico, negócios e psicologia.

Duração da pesquisa

Também podemos classificar a pesquisa pelo período de tempo em que é realizada, sendo longitudinal ou transversal.

Pesquisa longitudinal

A pesquisa longitudinal consiste em acompanhar eventos, pessoas ou grupos ao longo de um período mais longo para observar mudanças em variáveis como comportamento ou desenvolvimento físico e psicológico. Ela envolve observar um fenômeno, indivíduo ou grupo ao longo do tempo para identificar como seu comportamento muda em determinadas condições.

“Por exemplo, se eu quiser entender a fidelidade à marca e como os consumidores percebem produtos de cuidados com a pele, o ideal é usar pesquisa longitudinal, já que os clientes utilizam esses produtos por um longo período”, explica Singh.

A pesquisa longitudinal é extremamente útil porque pode ajudar a prever padrões futuros com base nas mudanças já observadas. Como explica Singh: “Se um produto está no mercado há algum tempo, como os consumidores estão reagindo às novas versões? Estão migrando da marca A para a marca B? E, se sim, por quê? Esse tipo de pergunta leva tempo para ser respondido, e estudos transversais não são suficientes.”

Por outro lado, a desvantagem é que a pesquisa longitudinal pode exigir muitos recursos. Ela demanda um compromisso de longo prazo, já que tendências e padrões podem levar tempo para aparecer. Além disso, alguns participantes podem desistir ao longo do estudo, o que pode impactar os resultados. Ainda assim, quando bem conduzida, esse tipo de pesquisa oferece insights valiosos e é especialmente indicado para estudos de mercado de longo prazo.

Pesquisa transversal

A pesquisa transversal consiste em estudar ou observar eventos, objetos ou pessoas e suas interações com o ambiente em um curto período. O termo “pesquisa transversal” vem de “corte transversal”, que significa uma amostra representativa de um grupo maior.

Esse tipo de pesquisa é ideal para análises rápidas de mercado, mas também é útil em áreas como educação, medicina e psicologia para examinar comportamentos e padrões de forma ágil. Além disso, leva menos tempo para ser realizada do que a pesquisa longitudinal.

Segundo Singh, “uma vantagem da pesquisa transversal é que ela permite comparar diferentes amostras em um mesmo momento. Por exemplo, se um pesquisador quiser entender a relação entre dois fatores, esse método pode ser usado de forma econômica e em menos tempo.”

Por outro lado, os dados coletados nesse tipo de pesquisa podem se tornar rapidamente desatualizados e perder relevância. Um exemplo de pesquisa transversal é um estudo para entender a diferença salarial entre homens e mulheres no mesmo nível de carreira em uma determinada região.

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